A campanha de Lula mudou seus planos para Pernambuco na reta final do segundo turno. Segundo uma fonte ligada à coordenação nacional, João Campos (PSB), que havia perdido protagonismo após a reunião em Brasília, voltou a ser prioridade na estratégia de comunicação e mobilização digital.

A mudança ocorre depois que profissionais ligados ao socialista passaram a integrar a equipe nacional de Lula. Entre eles está Rafael Marroquim, responsável pelo marketing de João Campos.

O reposicionamento também representa uma perda de espaço para Jones Manoel (PSOL). Eleito deputado federal com aproximadamente 249 mil votos, Jones havia participado de discussões sobre comunicação digital, colocado sua estrutura à disposição e defendido mudanças na estratégia petista para o segundo turno.

A campanha, entretanto, passou a concentrar esforços na projeção de João Campos como principal liderança da esquerda pernambucana, mesmo após sua derrota na disputa pelo Governo do Estado.

O movimento já aparece nas redes sociais. Segundo dados do Social Blade, João ganhou 43.878 seguidores no Instagram apenas em 19 de outubro, muito acima de sua média recente de aproximadamente 3 mil por dia. Nos últimos 14 dias, acumulou 69.928 novos seguidores e ultrapassou 3,166 milhões.

Segundo a fonte, conteúdos do presidente do PSB passaram a receber prioridade nos canais de mobilização da campanha, incluindo a rede digital do chamado Exército de Lula, coordenada pelo deputado André Janones.

A escolha também atende à relação política entre PT e PSB. João Campos preside um dos principais partidos aliados de Lula, enquanto Jones Manoel pertence ao PSOL e mantém uma trajetória de maior independência em relação ao grupo socialista de Pernambuco.

A mudança ganha significado diante do resultado eleitoral de 2026. Mesmo derrotado por Raquel Lyra, João Campos volta a receber uma estrutura nacional de projeção política, agora com o objetivo de recuperar protagonismo no campo da esquerda.

Na reta final do segundo turno, a campanha de Lula também participa de uma disputa que vai além da Presidência. Está ajudando a definir quem terá mais espaço político e digital na esquerda pernambucana depois das eleições.