Ausência de Motta e Alcolumbre na sanção do IR expõe rachadura entre Governo e Congresso
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
A cerimônia da sanção da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu parlamentares e autoridades no Palácio do Planalto nessa quarta-feira (26). Chamou atenção a ausência do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. As assessorias informaram compromissos paralelos como justificativa para a ausência, mas o gesto ganhou forte carga simbólica diante de tensões recentes entre o Executivo e o Congresso.
A política é feita de gestos, de presenças e de ausências. A presença de chefes do Legislativo em um ato de sanção presidencial representaria unidade institucional e legitimação conjunta da medida. A ausência de Motta e Alcolumbre quebra essa narrativa de consenso, reduz o impacto simbólico da conquista e evidencia fissuras internas, mesmo com a aprovação da lei.
O governo defendia a sanção como um passo concreto de justiça social e como cumprimento de promessa de campanha, com forte apelo popular entre trabalhadores de baixa renda. A retirada dos dois líderes do Congresso do evento, embora formalmente justificada, enfraqueceu a mensagem de coesão e representatividade política. O distanciamento não apaga a construção legislativa, mas dificulta o simbolismo do momento como gesto de unidade.
Com eleições se aproximando, a autoridade discursiva do governo sobre temas sensíveis como justiça fiscal e equidade social depende tanto da substância das leis quanto da percepção pública de solidez institucional. Ausências como essas podem favorecer narrativas adversárias sobre falta de unidade e instabilidade.
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