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Aliado de João Campos preso em campanha de ódio se conecta a ameaças contra Raquel e caos no Recife

Redação Por Redação em 17/09/2026, 17h24
Protestos e interdições no Recife no ciclo do auxílio chuva

A prisão de Alexsandro Pereira da Silva, flagrado com material de campanha retirado das ruas da governadora Raquel Lyra e mobilizando gente para o ato de Flávio Bolsonaro no Recife, expõe uma engrenagem que liga rua, redes e estrutura municipal do PSB. O episódio entra na mesma linha da campanha de ódio que tenta colar Raquel a Flávio por montagem e cena fabricada.

A rede de relações de Alexsandro, mapeada na apuração sobre a Maxxnet e o secretário Eduardo Mota, ramifica Prefeitura, Câmara do Recife e o entorno do perfil @raquel_bolada, alvo de decisão do TRE-PE. Entre os interlocutores mais próximos aparece Eduardo Nino (Eduardo da Silva Souza), nome já citado na cobertura dos protestos e dos disparos em massa no ciclo do auxílio chuva.

Eduardo Nino e a Prefeitura

Eduardo Nino figura em registros públicos como assistente técnico da Prefeitura do Recife por meio da prestadora Pernambuco Conservadora Ltda., empresa alvo da Operação Check-in da Polícia Federal em junho de 2026. Ele já havia sido apontado nos disparos de WhatsApp que convocavam gente para atos na Capital e na rede de perfis que espalhava boatos e convocações na Região Metropolitana.

Protesto e interdição de via no Recife no ciclo do auxílio chuva
Protestos e interdições no Recife no ciclo do Auxílio Pernambuco. Reprodução / Bastidor.pe

Ameaças físicas e o perfil @raquel_bolada

Nino é apontado como administrador do perfil @raquel_bolada no Instagram. Em setembro, a página convocava a «recepcionar» Raquel Lyra com ovos na Vila Santa Luzia, no bairro da Torre. O TRE-PE determinou a retirada do post, multa e suspensão do perfil por estímulo à hostilidade física contra a candidata.

A decisão fixou multa diária caso o conteúdo fosse republicado. Raquel registrou o episódio na polícia. O fio une a ameaça de rua à mesma máquina de disparos e perfis que já vinha atacando a governadora nas redes.

Protestos, disparos e carroças no Recife

A partir de 1º de julho, mesmo com o governo estadual afirmando que as 3.500 famílias do Auxílio Pernambuco já haviam sido atendidas, começaram interdições na Capital. No Jiquiá, trecho da Avenida Dr. José Rufino fechou com pneu queimado. Entre os dias 7 e 10, a onda se repetiu na Avenida Mascarenhas de Morais, na Avenida Recife e em trechos da BR-101, na Caxangá e no sentido Paulista.

Levantamento do Bastidor.pe mostrou servidores da Prefeitura na convocação, disparos em massa e logística paga para levar gente aos atos. Em paralelo, a apuração registrou empresa de reboque contratada para carregar entulho, madeira e pneus usados nas interdições. Carroças e reboques pagos entram nesse mesmo aparato de desgaste eleitoral em torno do auxílio estadual.

Reboques e entulho usados em interdição de via no Recife
Reboques com entulho e pneus nas interdições. Reprodução / Bastidor.pe

No mesmo ciclo, a Prefeitura fechou abrigos antes do levantamento usado no auxílio estadual, enquanto a rua cobrava o benefício. A sequência de atos e boatos, inclusive o toque de recolher falso espalhado nas redes, compõe o caos planejado na Capital.

Registro ligado ao ciclo do auxílio e abrigos no Recife
Ciclo do auxílio estadual e abrigos no Recife. Reprodução / Bastidor.pe

A esposa de Alexsandro e a foto com Nino

A ligação fica explícita no Instagram da própria esposa do detido. Joselma Ferreira de Almeida, assistente social e conselheira tutelar do Recife, publicou em abril foto de grupo em frente ao Hospital da Criança do Recife ao lado de Eduardo Nino. O post está em @_joselmaalmeida.

Print do Instagram de Joselma Almeida em foto de grupo com Eduardo Nino
Print do Instagram de Joselma Almeida (abril), ao lado de Eduardo Nino. Fonte: instagram.com/p/DWpiU8vkYKZ

Com a prisão de Alexsandro, sócio de comissionados da órbita de Eduardo Mota, e a proximidade documentada entre a família do detido e Nino, o episódio de ontem deixa de ser um flagrante isolado. Passa a ser mais um elo entre a operação de materiais de campanha, a ameaça física às redes e o financiamento de protestos que atravessou o Recife no meio do ano.

Fontes: Maxxnet e Eduardo Mota; protestos e servidores; reboques nas interdições; abrigos e auxílio; rede de perfis e disparos; decisão do TRE-PE; Instagram de Joselma.

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