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Quatro meses depois, João Campos não pediu desculpas sobre “ministro da eucaristia”

Redação Por Redação em 20/09/2026, 15h09
João Campos, candidato ao governo de Pernambuco

João Campos. Foto: Divulgação

Em maio, durante agenda em Jupi, no Agreste, João Campos disse a aliados: “se nada der certo, a gente vira ministro da eucaristia”. Todos caíram na risada. Os católicos, nem tanto.

O vereador Felipe Alecrim (Novo), que é ministro extraordinário da comunhão, lembrou que a função não é plano B de carreira nem personagem de campanha, embora tenha dito não acreditar em maldade. Gilson Machado também entrou na conversa e acusou Campos de tratar o tema com blasfêmia e ignorância. 

Vale lembrar que esses ministros atuam junto a idosos, enfermos e pessoas que não conseguem ir às celebrações. Não é exatamente o que se põe no currículo como alternativa para o caso de a eleição não sair como o esperado.

A resposta veio em vídeo, no mesmo dia. João disse que o trecho foi tirado de contexto e que se tratava de um “causo” político, do tipo que o pai, Eduardo Campos, gostava de contar. Falou ainda em uma “parte minoritária da oposição” tentando desgastá-lo, disse que não vale tudo na política e se declarou católico, com “orgulho arretado” e respeito a todas as denominações.

Houve explicação, contexto, genealogia da anedota, profissão de fé e um puxão de orelha nos adversários. O único item do cardápio que não saiu da cozinha foi o pedido de desculpas. 

O episódio também não veio sozinho. Meses antes, João já havia sido criticado por retirar do pescoço um cordão com medalhas religiosas antes de uma caminhada de rua. 

Dois tropeços no terreno da fé sugerem que talvez o problema não seja o recorte do vídeo.

A campanha começou oficialmente em 16 de agosto e a eleição é em 4 de outubro. Restam duas semanas para o candidato descobrir que “sinto muito” cabe em qualquer agenda, inclusive as que passam por igrejas. 

O eleitor católico, que ele diz respeitar tanto, ainda aguarda. 

Segundo o próprio Campos, a brincadeira foi só brincadeira. Resta saber se a paciência de quem se ofendeu também é.

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