O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco vai manter no segundo turno o transporte gratuito para eleitores de aldeias indígenas, quilombos e comunidades ribeirinhas. Pelo programa Seu Voto Importa, quem usou o serviço no primeiro turno tem ida e volta garantidas neste domingo (25), por terra ou por rio. Ao todo, 18 aldeias e 13 sítios quilombolas foram atendidos no início de outubro, 5 deles em Garanhuns, 3 em Águas Belas e 1 em Caruaru.
A maior operação fica no Sertão. Em Carnaubeira da Penha, onde cerca de 2 mil eleitores indígenas dos povos Atikum-Umã e Pankará foram levados às urnas em 44 veículos no primeiro turno, a frota sobe para 89 entre o distrito e a sede de Mirandiba. Em Mirandiba, que tem 586 eleitores indígenas, serão 42 veículos. Em Belém do São Francisco, dez barcos cobrem as 87 ilhas do arquipélago do rio. Há rotas ainda para os Truká em Cabrobó, os Pipipã e Kambiwá em Floresta, os Pankararu em Petrolândia e os Kapinawá em Buíque. Os Xukuru do Ororubá, em Pesqueira, votam em seções instaladas no próprio território.
No mesmo dia, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil pediu providências urgentes ao Tribunal Superior Eleitoral para garantir o voto indígena em sete estados, entre eles Pernambuco. A entidade quer intérpretes para quem não fala português, que mães com filhos pequenos não sejam barradas e que a ausência seja justificada sem multa onde o transporte faltar. Também cobra, em até 15 dias após a eleição, a lista das comunidades atendidas e dos pedidos negados. “Isso mostra que os órgãos federais e estaduais não estão preparados para lidar com situações adversas”, disse o coordenador executivo Alcebias Sapara.
O TRE-PE afirma que não recebeu reclamações de eleitores indígenas pelos canais da Ouvidoria nem registrou dificuldades com quem não domina a língua portuguesa. Com mais de 100 mil pessoas que se declararam indígenas no Censo de 2022, Pernambuco tem a quarta maior população indígena do país. O transporte urbano e intermunicipal gratuito no domingo foi garantido por decreto do governo estadual.
Foto: Divulgação/OEA