A repercussão do caso do soldado Pedro Gabriel Bezerra, que desapareceu do 7º Depósito de Suprimento com um fuzil e 20 munições, traz à tona um histórico sombrio de denúncias de violência contra militares em quartéis de Pernambuco.
O Bastidor apura relatos de agressões físicas contra soldados dentro de instalações do próprio Exército. Em alguns episódios, a violência foi tratada como trote e lesão corporal.
Um dos casos ocorreu em 2016, nas instalações do 4º Batalhão de Polícia do Exército (4º BPE), no Recife. Segundo a apuração, um soldado foi espancado dentro da unidade militar com tapas, socos e chutes, inclusive nos testículos. A investigação resultou na identificação de seis militares.
Neste exemplo, a vítima sofreu lesões na região testicular, acompanhadas de dores intensas, formação de cisto e quadro de dor crônica bilateral, e precisou de atendimento no Hospital Militar de Área do Recife, passando por exame no Instituto Médico Legal (IML). O caso foi objeto da Ação Penal Militar nº 183-06.2016.7.07.0007 e da apelação nº 7000124-41.2018.7.00.0000, do STM.
Os casos apontam para a suspeita do uso da violência como instrumento de disciplina contra militares, e levanta questionamentos sobre a falta de fiscalização e de responsabilização no Exército.
A situação ganha ainda mais importância diante da prisão de Pedro Gabriel no 4º BPE, no Curado. Durante quatro dias, os militares deste batalhão foram mobilizados em buscas que percorreram bairros de Olinda e Paulista, enfrentando jornadas debaixo de sol forte, até que o soldado se apresentou à polícia em Goiana.
O desgaste provocado pelas buscas, somado ao histórico de denúncias de agressões, exige atenção redobrada ao risco de represálias contra o soldado. Pedro Gabriel precisa responder pelos seus atos perante a Justiça Militar, mas não pode ser submetido a castigos físicos, intimidações ou qualquer forma de violência por parte daqueles responsáveis por sua custódia.