O caso do soldado Pedro Gabriel Bezerra, que deixou o 7º Depósito de Suprimento do Exército, no Cabanga, levando um fuzil e 20 munições, pode provocar mudanças na rotina de militares em todo o país.
Fontes militares ouvidas pelo Bastidor afirmam que o episódio abriu uma discussão interna sobre a necessidade de revisar os procedimentos de segurança nos quartéis, especialmente nas escalas de sentinela.
A principal preocupação envolve o modelo de vigilância em que um único militar permanece armado em postos estratégicos durante a madrugada. Para parte dos oficiais, o episódio demonstrou a vulnerabilidade desse formato, sobretudo em unidades localizadas em áreas urbanas com presença de facções criminosas.
Uma das alternativas defendidas é a adoção de sentinelas em dupla. Nesse modelo, dois militares cumpririam o serviço simultaneamente, reduzindo a exposição individual e ampliando a fiscalização sobre o armamento.
A proposta, entretanto, enfrenta dificuldades operacionais. Dobrar o número de sentinelas exige reorganizar escalas, redistribuir efetivos e aumentar a quantidade de militares empregados diariamente na segurança das instalações.
Ainda assim, há quem considere que o custo de uma nova ocorrência envolvendo o desaparecimento de armamento militar seria muito maior.
Pedro Gabriel se apresentou em Goiana, na Zona da Mata Norte, quatro dias depois de desaparecer do quartel. Ele foi preso, e as circunstâncias de sua saída continuam sendo investigadas por meio de um Inquérito Policial Militar.