Um dia depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação para apurar a suposta destruição de provas relacionadas a contratos da Prefeitura do Recife, a gestão municipal anunciou a suspensão de serviços digitais, entre eles o Portal da Transparência, o SEI, o Diário Oficial e o Portal de Compras.

A coincidência chama atenção, mas não há, até agora, evidências de relação entre os acontecimentos.

A Operação Check-out, realizada na quarta-feira (21), investiga uma possível obstrução da Operação Check-in, deflagrada em junho. A primeira fase apura suspeitas de corrupção, desvio de recursos e fraudes em contratos de terceirização firmados pelo município em 2020. Segundo a PF, um investigado com mandado de prisão preventiva não foi localizado.

Em nota, a Empresa Municipal de Informática (Emprel) afirmou que a suspensão dos sistemas é preventiva e segue orientações de órgãos de segurança cibernética do governo federal.

O alerta existe. Na quarta-feira, o governo federal divulgou recomendações sobre duas vulnerabilidades críticas na linguagem PHP, utilizada em serviços na internet. Entre as medidas previstas está avaliar o isolamento temporário de aplicações expostas, quando não for possível corrigi-las imediatamente. Outros órgãos, como a Agência Nacional de Mineração, também retiraram sistemas do ar.

A nota da Prefeitura, porém, não esclarece quais plataformas municipais apresentavam vulnerabilidades, quando o acesso será restabelecido nem como ficarão os prazos administrativos afetados.

A retirada de um portal do ar não significa, por si só, apagamento de dados. Mas, diante de uma investigação sobre suposta destruição de provas, cabe à Prefeitura esclarecer também se documentos e históricos de acesso estão integralmente preservados.