O pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e a lobista Roberta Luchsinger chegou a 151 assinaturas nesta quinta-feira (22), com 116 deputados e 35 senadores. Até segunda (19), eram 83 apoios ao requerimento. A autora é a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), oficial da Polícia Militar de Mato Grosso. Para protocolar a comissão, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. O mínimo no Senado já foi atingido, e faltam 55 adesões na Câmara.
A coleta ganhou força depois que Luchsinger disse em entrevista que pretende fazer delação premiada e que tem informações além das mensagens já recuperadas pela Polícia Federal. A comissão quer apurar suspeitas de favorecimento de empresas no governo federal e as relações entre a lobista, Lulinha e agentes públicos. Na entrevista, ela citou encontros do filho do presidente com um dirigente da empreiteira portuguesa Mota-Engil, responsável pelo contrato do túnel entre Santos e Guarujá, em São Paulo. A PF já juntou as apurações sobre Lulinha em um só inquérito.
No mesmo processo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra um pedido da defesa de Lulinha para apurar vazamentos de dados sigilosos da Operação Sem Desconto, que investiga descontos não autorizados em aposentadorias do INSS. Em parecer de nove páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal, Gonet afirmou que a vítima de um crime investigado pelo poder público não tem legitimidade para ditar a condução do inquérito, mas recomendou que a petição seja anexada aos autos para que os investigadores avaliem os episódios.
O mesmo parecer defende que apurações sobre a Dataprev e a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, que também envolvem Lulinha, desçam para a primeira instância, por não haver indício de participação de autoridades com foro. A defesa do filho do presidente nega irregularidades e afirma que as viagens com a lobista ocorreram por amizade.
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