“Time de Lula” quer que ele faça gol contra vindo para Pernambuco
A campanha eleitoral de 2026 é como um jogo de futebol. Em Pernambuco, Lula é tratado como o craque, mas o suposto “time” oficial do presidente insiste para que ele faça um gol contra. É o que a Frente Popular parece tentar agora, ao empurrar Lula para um desembarque em Pernambuco na terça-feira, dia 22 de setembro.
A senadora Teresa Leitão confirmou a vinda à imprensa local. Do Palácio do Planalto, até este sábado (19), silêncio. Nenhuma confirmação oficial, nenhuma agenda divulgada.
Para Lula, em Pernambuco, o problema é voto demais em palanque demais, numa eleição polarizada. O eleitor do “Luquel”, o que vota em Lula e em Raquel Lyra, existe aos montes. Há ainda o palanque de João Campos, candidato da Frente Popular, e o de Ivan Moraes, do PSOL. Três casas, todas com a foto do presidente na sala.
Se vier e subir no palanque de João, Lula avisa a uma fatia do eleitorado que ele gosta, e que gosta dele, que a governadora é oficialmente a outra. Ganha um aliado, arrisca a simpatia de uma base que lhe dá votos sem cobrar fidelidade. É um gol contra com direito a replay.
Entre analistas, a insistência de João Campos tem outra leitura, e mais sofisticada.
Como presidente nacional do PSB, João Campos não pede a presença de Lula só como candidato: pede como dirigente partidário que sabe do peso do partido na aliança nacional. Convidar o presidente da República para dizer “aqui, com ele” é colocá-lo contra a parede.
Enquanto isso, o cenário nacional recomenda cautela. Flavio Bolsonaro aparece à frente de Lula em diversos cenários de segundo turno, e quem está perdendo precisa buscar votos onde eles faltam, não desperdiçar capital onde sobram.
Pernambuco é um dos poucos lugares em que Lula pode se dar ao luxo de ser querido por todos. Escolher um lado é trocar esse luxo por uma briga que não é dele.
Talvez por isso o presidente tenha, na quinta-feira (17), adiado a vinda. O bastidor.pe chamou o movimento de “drible”, e o termo é justo: o craque viu a marcação se fechar, prendeu a bola e deu um passo para o lado. De quebra, tem mandado ao estado peças publicitárias que falam com os pernambucanos sem citar candidato local.
O “time de Lula”, ao que tudo indica, prefere Lula vestindo a camisa, mesmo que isso possa prejudicá-lo e, indiretamente, ajudar Flávio Bolsonaro. Nessa versão do jogo, o goleiro é o próprio presidente, e o time trabalha com afinco para que o chute contra ele venha de dentro da área.
Resta saber se ele vem, quando vem e, principalmente, para qual lado vai olhar quando chegar. Em política, escolher o lado do palanque é o gesto mais caro que existe, e Lula, que sabe jogar, já mostrou nesta semana que prefere não pagar antes da hora.
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