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O fiel da balança: como Eduardo da Fonte pode ser decisivo nas eleições de 2026

Por Fillipe Vilar em 06/04/2026

Imagem: Edição

A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas em 2026, que as pesquisas mais recentes apontam em um empate técnico absoluto entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB), está sendo decidida nos detalhes das alianças partidárias e, sobretudo, no domínio de nichos do eleitorado. Nesse cenário, o papel do deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação União Progressista (União Brasil/PP), emerge como “fiel da balança”.

Mesmo depois das especulações sobre um desembarque da base de apoio do governo, gerando a exoneração de nomes ligados ao PP, Dudu consolidou sua permanência mantendo consigo um ativo político fundamental: a ponte com o segmento evangélico mais tradicional do estado.

A ponte com a Assembleia de Deus

A relação de Eduardo da Fonte com o eleitorado cristão não é circunstancial, mas fruto de um pragmatismo político de longa data. Dudu da Fonte mantém uma interlocução direta e privilegiada com o Pastor Ailton José Alves, presidente da Assembleia de Deus em Pernambuco (ADPE). A ADPE é considerada a maior e mais capilarizada força religiosa do estado, capaz de mobilizar milhares de fiéis de forma disciplinada.

Vale ressaltar que a última pesquisa divulgada pelo Instituto Veritá assinala uma preferência gritante do segmento evangélico pela reeleição da governadora Raquel Lyra, que possui uma vantagem de 44,1% contra apenas 13,9% de João Campos no segmento. Essa proximidade garante a Raquel Lyra uma barreira de contenção contra o avanço de João Campos em um nicho onde a governadora já demonstra força.

A manutenção do PP na base governista assegura que lideranças da Assembleia de Deus, como o deputado estadual Adalto Santos, continuem operando em favor da reeleição da governadora.

Conservadores com Raquel

O xadrez de Raquel Lyra ganhou contornos de xeque-mate no segmento conservador com as recentes movimentações partidárias. A governadora, filiada ao PSD, conseguiu atrair quadros que antes gravitavam na órbita do PL e do bolsonarismo puro. Um exemplo emblemático é o do deputado federal Pastor Eurico.
Historicamente ligado ao PL e uma das vozes mais estridentes da bancada evangélica no Congresso, Eurico deixou a legenda para ingressar no PSD, o partido da governadora. Esse movimento sinaliza uma migração do “voto de valores” para a governabilidade.

Ao abrigar Eurico e contar com o apoio de Dudu da Fonte, Raquel Lyra não apenas agrega uma boa parte da base evangélica, mas esvazia o discurso de candidatos da extrema direita e dificulta a penetração de João Campos em um terreno que exige interlocutores de alta confiança religiosa.

Desafio para João Campos

Para o prefeito João Campos, o desafio é romper esse “cinturão da fé” que se formou em torno de Raquel. Embora João lidere entre os jovens e na capital, a ausência de uma ponte sólida com as cúpulas das grandes denominações evangélicas (agora ocupada por Eduardo da Fonte e pelo grupo do PSD) pode ser o teto que impede sua vitória em um eventual segundo turno.

O PP, ao decidir “balançar mas não cair” da base de Raquel, escolheu o lado que lhe garante a manutenção de espaços estratégicos no estado e a continuidade de sua influência sobre o rebanho eleitoral mais cobiçado de Pernambuco.

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