Redes Sociais

Buscar


João Campos antecipa discurso de derrota

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 28/08/2026, 9h07 · Atualizado em 08/09/2026, 7h54
João Campos, candidato do PSB ao governo de Pernambuco

João Campos em agenda no interior — Foto: Jamildo.com

João Campos passou os últimos dias fazendo o que uma campanha faz quando o placar aperta. Trocou o palanque pelo jurídico. Coletiva, advogado de peso, eixos de acusação e uma sopa de letrinhas: TRE, MP, TCE, PF, CGU, Caixa…

No futebol, quando o time está perdendo um jogo importante, um bom técnico joga o goleiro no ataque. É isso o que está acontecendo hoje. O jurídico que já defendeu João Campos até mesmo no STF, tirando investigação do Ministério Público com liminar de Gilmar Mendes, saiu da área para cobrir falta na área do adversário. Goleiro no ataque não é sinal de quem está ganhando. É sinal de quem precisa virar o jogo quando o relógio aperta.

Mas a pergunta que o eleitor não faz, e a campanha precisa que ele faça, é outra. Isso muda o preço da passagem, a fila do hospital, a rua alagada? Ou só explica, com antecedência, um resultado que as pesquisas já vêm desenhando?

As pesquisas não mentem. Datafolha de 21 de agosto, Raquel Lyra 47%, João Campos 40%. Nos válidos, ela bate na casa dos 52%, cenário de primeiro turno. Quaest de 25 de agosto, 44% a 36%. No segundo turno, 47% a 37%. Ele já esteve na frente ou no empate. Agora está atrás. É nesse ponto da curva que o “gabinete” deixa de ser só denúncia antiga e vira tese de campanha.

Há fato no meio do caminho. A Record mostrou Amisadai Andrade da Silva, servidor comissionado do governo. No dia seguinte, Raquel o exonerou. Isso existe. Não é invenção.

O que não existe, e o Jornal do Commercio foi lá conferir, é o inquérito federal que a Record e o próprio João Campos dão como certo. As superintendências da PF em Pernambuco e em Brasília disseram ao JC que não localizaram registro de investigação ou inquérito aberto sobre o episódio. Na própria coletiva, o próprio advogado do PSB não sustentou o contrário. Disse que a coligação vai procurar a Polícia Federal. Quem promete ir à PF amanhã admite, sem querer, que o inquérito de ontem não estava lá.

No futebol, mandar o goleiro para o ataque é o último cartucho. A urna não lê inquérito que a PF ainda não localizou. Lê governo, rejeição e voto.

Descubra mais sobre bastidor.pe

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo