A estratégia de João Campos para tentar virar o jogo
João Campos. Foto: Divulgação
A reta final deixou de ser uma disputa por grandes ondas e virou uma disputa por pequenos movimentos.
No início de setembro, 76% dos eleitores ouvidos pela Quaest diziam que o voto para governador já estava definido. Hoje, esse número é maior e isso ajuda a explicar por que TV, rádio e comunicação de massa perderam peso relativo como instrumentos de conversão nesta etapa da eleição. Continuam importantes, claro! Mas boa parte de quem recebe a mensagem eleitoral nesses canais já escolheu o seu lado.
É aí que entra a saturação digital. João Campos não precisa provocar uma queda de cinco ou dez pontos em Raquel Lyra. Não precisa de um grande escândalo, nem de uma pauta que domine Pernambuco inteiro. Ele só precisa de movimento de margem.
Uma polêmica que atinja 1%, 2% ou 3% do eleitorado pode parecer pequena quando olhamos pro Estado inteiro, mas numa disputa tão apertada como essa isso ganha uma importância gigante. As investidas do PSB não precisam chegar ao almoço de família ou virar assunto no trabalho. Basta atingir nichos capazes de alterar avaliação, disposição de voto ou entusiasmo.
O aumento do tom nas redes e nas ações de rua busca acumular pequenas pautas e polêmicas até produzir um deslocamento necessário. Esse movimento pode ser mínimo, pois João não precisa de muito para empatar o jogo ou até mesmo ameaçar levar a eleição no primeiro turno.
A Quaest desta quarta, com campo de 19 a 22, e o Datafolha de quinta, coletado entre 22 e 24, serão os testes mais importantes dessa reta final.
A pergunta não é se uma pauta, como da laqueadura, “pegou” no estado inteiro. É sobre se conseguiu mover um, dois ou três pontos do tabuleiro. É esse tipo de movimento que vai definir o jogo daqui para outubro.
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