A vitória de Lula faz sentido. Em termos de comunicação política, o que foi feito pela campanha e pelo PT na reta final mostra algo que especialistas vão ter que estudar. A mobilização, a narrativa e a capacidade de manter a base ativa produziram um resultado coerente com o esforço realizado. Isso, porém, não resolve o problema central. Infelizmente, não dá para afirmar que houve lisura plena no processo eleitoral depois da interferência de Zanin no TSE.

A decisão monocrática de Zanin, assinada às 17h01, de prorrogar a votação até as 19h criou um ambiente de confusão operacional que foi televisionado para milhões de pessoas ao vivo nos canais de notícias. As urnas já estavam fechadas em muitas seções. Na hora, avisamos que o PT e Zanin estavam montando, ainda durante a votação, a base narrativa para pedir anulação em caso de derrota. Agora quem está usando essa base agora é o opositor.

Flávio está questionando o resultado. Aliados falam em interferência e em insegurança jurídica e os Estados Unidos avaliam não reconhecer a eleição.

Desta vez, existe justificativa concreta para preocupação e essa preocupação não vem do nada. Trata-se de uma decisão judicial tardia, monocrática e fora da competência da Justiça Eleitoral. Isso dá peso aos questionamentos. A confusão foi pública e televisionada. Todo mundo viu e acompanhou com bastante apreensão.

Tudo está sem precedentes. Todo mundo avançou os limites da normalidade sem intenção de recuar. Um ministro do STF interferiu num processo eleitoral em andamento. O PT construiu uma narrativa de contestação. O opositor está usando o material que o próprio campo adversário produziu. A legitimidade de Lula corre risco de nascer sob contestação com base real. É extremamente preocupante o que pode acontecer no Brasil a partir daqui.