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Deus, pátria e tráfico humano

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 15/09/2026, 16h37 · Atualizado às 16h50
Card Deus, pátria e tráfico humano

Arte: Bastidor.pe

Este portal tem como foco principal o debate sobre Pernambuco. Mas, diante do escândalo do Banco Master, vimos a necessidade de abordar um tema que o país ainda recusa. O tráfico de mulheres no esquema de poder.

O Brasil discute o escândalo do Master como se tudo coubesse numa planilha. Rombo no dinheiro dos aposentados, CDB podre, celular de ministro, contrato de escritório, jatinho no aeroporto. Tudo isso importa. Mas nada disso esgota o que o episódio expõe.

A camada mais grave e imoral quase não ocupa o centro da pauta. Há indícios de tráfico internacional de mulheres usadas como moeda para chegar a deputados, senadores e ministros do STF. Não foram festas de playboy. Foi a execução de um mercado de corpos cruzando fronteiras para servir a homens que mandam no Estado.

Reportagens e o relatório da CPI do Crime Organizado já apontam recrutamento, transporte e hospedagem de mulheres estrangeiras em eventos ligados a Daniel Vorcaro. Presença marcada em Brasília e na Europa. Passaportes e acervo de centenas de gigabytes vistos pelo Congresso. Coisas que o próprio banqueiro define como parte do “business”.

A lei brasileira já lida com isso de forma muito clara. Recrutar, transportar ou acolher pessoa com fim de exploração sexual já cabe no tipo penal. Facilitar a entrada no país para prostituição também.

Isso tudo não foi simplesmente orgia. Tráfico humano é indústria. E fizeram isso para capturar uma fatia importante do Estado e seus recursos. Todo esse escândalo deixa claro que o método funciona muito bem quando a elite política do Brasil esteve disposta a receber mulheres como pagamento ou brinde.

Enquanto nada disso for tratado com a mesma energia do rombo financeiro, o país dirá que fraude de bilhões constrange e que a exploração internacional de mulheres é nota de rodapé.

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