COP30: como a comunicção pode salvar (ou sabotar) a luta pelo clima
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A COP30, que está sendo realizada em Belém, vem sendo apresentada como um marco na luta global contra as mudanças climáticas. É uma conferência histórica com o propósito de colocar o planeta no centro da agenda política e econômica mundial. Ainda assim, em meio a discursos sobre sustentabilidade e compromissos verdes, cresce também o coro de críticas e desconfianças. Afinal, por que um evento que se propõe a salvar o planeta desperta tanta resistência?
Grande parte dessa reação negativa nasce de falhas de comunicação. Quando o discurso ambiental se afasta da realidade cotidiana das pessoas, ele se torna abstrato e vulnerável à desinformação e ao negacionismo. Expressões como “neutralidade de carbono” ou “financiamento climático” soam distantes de quem enfrenta dificuldades concretas, como a falta d’água ou o desemprego. A ausência de uma linguagem acessível e de exemplos práticos faz com que o debate ambiental pareça restrito a elites políticas e econômicas, alimentando uma percepção de hipocrisia e desconexão.
Para reconquistar a confiança pública, a comunicação sobre a COP30 precisa ser mais empática e próxima. É necessário traduzir o impacto das decisões globais em benefícios locais, mostrando como políticas de preservação geram emprego, segurança alimentar e qualidade de vida. A construção de uma narrativa positiva e inclusiva pode neutralizar o discurso negacionista, que prospera justamente quando há ruído, distância ou arrogência comunicacional. Em vez de inflamar divisões, a comunicação climática deve se concentrar em criar pertencimento: o planeta é um só e todos são parte da solução.
Outro ponto essencial é o comportamento das lideranças políticas. Muitas vezes, a disputa por protagonismo faz com que o foco se desloque do debate ambiental para o marketing pessoal. Quando as falas públicas parecem voltadas a medir egos e não resultados, o público se distancia. A comunicação política eficaz deve equilibrar visibilidade e propósito, destacando-se pela coerença e pela entrega, não apenas pela exposição. Isso fortalece a credibilidade de quem fala e a legitimidade da causa que se defende.
Em um momento em que a urgência climática exige cooperação, a COP30 oferece uma oportunidade única de repensar a forma de comunicar o futuro do planeta. Se a mensagem for clara, transparente e conectada à vida das pessoas, o evento pode marcar uma virada no combate à desinformação e no engajamento público com a pauta ambiental. Mas, se a comunicação seguir refém de jargões, disputas e distanciamentos, a COP30 corre o risco de se tornar apenas mais um grande palco para discursos e não o ponto de virada que o mundo precisa.
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