A política brasileira acaba de ganhar uma disputa curiosa: a de quem nunca precisou bater ponto numa empresa.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato recentemente derrotado ao Governo de Pernambuco, resolveu provocar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Entre as críticas, destacou que o parlamentar não declarou profissão em seu cadastro na Câmara dos Deputados, sugerindo que o adversário nunca trabalhou.
O problema é que João talvez não seja exatamente a pessoa mais indicada para puxar essa conversa.
Filho do ex-governador Eduardo Campos, João começou sua trajetória profissional como chefe de gabinete do então governador Paulo Câmara, em Pernambuco. Seu currículo também não registra passagem conhecida pelo regime CLT. Do gabinete do governador à Câmara dos Deputados e, depois, à Prefeitura do Recife, sua carreira foi construída dentro da política.
Nikolas, por sua vez, também iniciou cedo sua trajetória eleitoral, passando pela Câmara Municipal de Belo Horizonte antes de chegar ao Congresso Nacional.
É claro que ocupar cargos públicos é trabalhar. A questão é que, se a régua utilizada por João for a experiência profissional fora da política, a comparação pode acabar produzindo um empate bastante constrangedor.
No vídeo, o socialista ainda critica o uso de aeronave privada por Nikolas e encerra convidando o deputado a conhecer o Galo da Madrugada, um dos maiores símbolos do Carnaval pernambucano.
A provocação tem humor, identidade regional e potencial de engajamento. Mas também oferece ao adversário uma resposta praticamente pronta.
No fim, a disputa entre os dois jovens políticos rende bons vídeos. A competição de carteiras de trabalho assinadas pode levar à conquista do troféu CLT. Nesse quesito, nenhum dos dois aparenta ter muito material para apresentar.