O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou a campanha de Lula (PT) suspender uma propaganda que associa Flávio Bolsonaro (PL) ao assédio de mulheres. O vídeo simula a imagem de uma câmera de segurança em que um homem aborda mulheres numa padaria e diz “Sou filho do dono da padaria. Quer me dar?”. Em seguida, aparece o próprio Flávio dizendo “Sou filho do presidente. Quer me dar?”, e a peça termina com a frase “Com Flávio Bolsonaro, as mulheres perdem”.
Na ação, Flávio argumentou que o vídeo original foi gravado em contexto privado, entre amigos, quando ele imitava o irmão, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), e que a montagem induz o eleitor a acreditar que ele abordou mulheres daquela forma. Em decisão liminar, Bellizze entendeu que a peça “não se limita a sustentar crítica política com base em declaração pública, podendo sugerir como fatos reais situações que não teriam ocorrido”. O ministro negou, por ora, o pedido para tirar da campanha petista tempo do horário eleitoral.
No mesmo dia, o ministro André Mendonça determinou que a Meta suspenda o impulsionamento de publicações da campanha de Lula que ligam Flávio ao caso da menina Ana Clara Gomes Machado, morta aos 5 anos em 2021, durante uma operação policial em Niterói (RJ). Os anúncios dizem que o senador “defendeu assassino de criança”. Em 2024, como advogado, Flávio assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar evitar que o cabo acusado pelo disparo fosse a júri popular. Mendonça considerou o material predominantemente negativo, sem conteúdo de promoção da candidatura, e fixou multa de R$ 10 mil por novo impulsionamento. Ele ressaltou que a decisão não avalia a veracidade das acusações.
As decisões chegam no auge da guerra jurídica da reta final. A campanha petista pediu a cassação de Flávio por causa da atuação da Meta, enquanto o senador pediu a de Lula pelos disparos de WhatsApp do GovBR. O último debate entre os dois está marcado para sexta-feira (23).
Foto: Victor Piemonte/STF