STJ exonera servidor suspeito de vazar minutas a advogado amigo de Flávio
Foto: TV Gazeta
O Superior Tribunal de Justiça abriu investigação e exonerou na sexta-feira (16) o servidor Humberto Fontoura Pradera, suspeito de repassar minutas de decisões da corte ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). As mensagens constam de relatório da Polícia Federal enviado à Procuradoria-Geral da República.
Pradera era secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do tribunal e já havia chefiado a assessoria de inteligência artificial. Segundo a PF, ele informou o advogado sobre demandas internas, enviou a foto de um documento exibido na tela de um computador e comentou o andamento de um recurso especial. “O presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos, e um procedimento interno para apuração já havia sido instaurado desde a semana passada”, informou o tribunal, que exonerou o servidor por ocupar cargo de confiança.
O relatório também aponta conversas de Tomaz com o subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, que se aposentou em março. Para a PF, em mais de uma ocasião pareceres do subprocurador seguiram, de forma literal ou quase literal, recomendações enviadas pelo advogado. O mesmo documento registra que Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de empresa de Tomaz, o que, segundo os investigadores, dava ao senador “acesso operacional relevante” à conta.
Tomaz é um dos donos do jato em que Flávio viajou em janeiro do ano passado e é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em benefícios do INSS. Em nota, a defesa nega “categoricamente” acesso irregular a decisões ou interferência em pareceres e diz estranhar que material sigiloso venha a público de forma seletiva “em pleno período eleitoral”. O segundo turno é no domingo (25).
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