O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) cobrou nesta terça-feira (20) que Flávio Bolsonaro (PL) diga de onde sairá o corte de R$ 200 bilhões que o candidato promete fazer no Orçamento federal, o chamado tesouraço. Em vídeo publicado nas redes, o vice de Lula (PT) afirma que a conta não fecha se o senador mantiver a promessa de não mexer em benefícios sociais.

“Se ele diz que vai cortar R$ 200 bilhões e diz que esse corte não virá dos programas sociais, ele precisa dizer com todas as letras de onde vai vir esse corte. Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte”, disse Alckmin. Ele comparou a proposta às medidas de Javier Milei na Argentina, como o fim do reajuste do salário mínimo acima da inflação, a desvinculação das aposentadorias e as restrições ao seguro-desemprego e à distribuição gratuita de remédios.

A equipe de Flávio estuda um ajuste equivalente a 1,5% do PIB no primeiro ano de governo. A coordenadora do programa econômico, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, já elogiou a política econômica argentina e defende trocar o arcabouço fiscal por uma regra baseada na trajetória da dívida pública. A campanha fala em reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e em envolver os outros Poderes no esforço fiscal, e Flávio nega que vá cortar benefícios sociais. O detalhamento de onde sairia a economia ainda não foi apresentado.

O tema já passou pela Justiça Eleitoral. No dia 14, o ministro André Mendonça mandou Lula apagar um vídeo que ligava o tesouraço a cortes em programas sociais, por falta de elementos que sustentassem a acusação. Do lado do governo, Lula negou na segunda-feira (19) que as medidas sociais da reta final sejam uma bomba fiscal e afirmou que entrega o Orçamento com superávit primário.

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