Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado aponta que apenas 30% dos poços artesianos perfurados pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) em 2024 e 2025 chegaram de fato a abastecer a população. Das 297 perfurações feitas na gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), só 91 estavam atendendo comunidades. Outras 128, ou 43%, foram classificadas como secas, e 75 aguardam instalação.
Segundo o gerente de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura do TCE-PE, Jorge Santana, a classificação de poço seco inclui perfurações que não alcançam a vazão mínima ou cuja água não serve para consumo. Para o tribunal, um número elevado de perfurações sem sucesso pode indicar falhas de planejamento, falta de estudos prévios sobre o solo ou escolha inadequada dos locais, embora o estudo ressalve que isso não vale automaticamente para todos os casos.
Os contratos analisados somam R$ 45,1 milhões, divididos em três blocos regionais. O maior, de R$ 18,6 milhões, cobre Pajeú, Moxotó, Agreste Central e Setentrional e Mata Norte. O segundo, de R$ 17,6 milhões, atende Sertão Central, São Francisco, Itaparica e Araripe, e o terceiro, de R$ 8,8 milhões, Agreste Meridional e Mata Sul.
Nas inspeções presenciais em 92 poços, os auditores encontraram 86 produtivos, mas só 62 instalados. Outros 24 tinham água e seguiam à espera de equipamentos, situação que, segundo o tribunal, aumenta o risco de danos e contaminação. O TCE abriu um painel georreferenciado para consulta por município, comunidade e empresa contratada.
O levantamento repercute na mesma semana em que o governo, em decreto da governadora em exercício Priscila Krause, retirou R$ 40 milhões de obras hídricas e de saneamento rural para cobrir a previdência estadual. Na Alepe, o deputado Abimael Santos (PL), reeleito em outubro, cobrou a volta do abastecimento em Toritama, no Agreste, onde moradores relatam torneiras secas desde a eleição. “Será que as urnas sugaram a água?”, questionou.
Até a publicação, o IPA e o Governo de Pernambuco não haviam comentado os números do tribunal.