Dois dos principais aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Pernambuco rejeitaram o termo fuga para a saída do senador do Brasil, na terça-feira (27), dois dias depois do segundo turno. O deputado federal eleito Gilson Machado Neto (Podemos) e o deputado estadual reeleito Coronel Feitosa (PL) passaram a tratar a viagem aos Estados Unidos como exílio político.
Flávio deixou o país em meio à ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que entregasse os passaportes à Polícia Federal. O senador, derrotado por Lula (PT) na disputa presidencial, é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.
“Ele não fugiu do Brasil. Ele é um refugiado. Se eu disser que alguém está com vontade de sair e o Estado decreta a prisão de passaporte com base em relato de terceiros, isso não está previsto na Constituição”, argumentou Feitosa, reeleito em outubro para mais um mandato na Alepe.
Ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro e eleito para a Câmara dos Deputados em outubro, Gilson Machado Neto disse que o senador teria o mesmo destino do pai, que cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe. “A experiência mostra o que aconteceu com o pai, que também foi candidato contra o atual governo e acabou preso. Se eu estivesse no lugar do Flávio Bolsonaro, faria o mesmo. O caminho dele aqui era a cadeia”, afirmou.
Gilson ainda comparou o senador à opositora venezuelana María Corina Machado, Nobel da Paz, e a Edmundo González, exilado na Espanha desde 2024. “Não é à toa que os Estados Unidos mandaram resgatar ele aqui no Brasil, como fizeram com Maria Corina, lá na Venezuela”, declarou.
Para os dois parlamentares, a permanência de Flávio no exterior deve manter viva a oposição ao governo Lula, com uma atuação que eles descrevem como livre de censura. A leitura contrasta com a de dirigentes do próprio campo da direita no país. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse não ter gostado da carta em que o senador se apresentou como presidente eleito.