O senador reeleito Humberto Costa (PT) sinalizou que a relação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue de pé, mesmo depois de a governadora ter ficado neutra no segundo turno da disputa presidencial. O aceno chega no momento em que Raquel tenta trazer a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, para a base do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

“Acredito que a situação do segundo turno não tenha causado nenhum estremecimento no relacionamento institucional da governadora com o presidente e ela pode contar comigo e com os integrantes do PT no sentido da continuidade desse relacionamento institucional, pois ele é do interesse de Pernambuco”, afirmou o senador.

Médico e jornalista, Humberto foi ministro da Saúde no primeiro governo Lula e vai para o terceiro mandato seguido no Senado, algo inédito em Pernambuco. Ele teve 2,5 milhões de votos em 4 de outubro e é hoje o principal interlocutor do PT pernambucano com o Palácio do Campo das Princesas.

A federação saiu das urnas com nove deputados estaduais, o mesmo número do PSD e do PSB de João Campos, um a mais que a Federação União Progressista, que fez oito, e três a mais que o Podemos, que terá seis. No mandato atual, PT e PV votaram com o governo em projetos que a oposição, formada pelo PSB, pelo presidente da Casa, Álvaro Porto, pelo Republicanos e por dissidentes, tentou travar, entre eles pedidos de empréstimo.

Nos bastidores, já se dá como certo que o deputado estadual Doriel Barros (PT), primeiro suplente da federação, assuma uma cadeira em 2027 no lugar de um eleito do grupo que deve ser chamado para o secretariado de Raquel. A federação também pode entrar no bloco que vai definir a composição das comissões da Alepe.

O movimento ocorre enquanto a base governista discute o comando da Assembleia a partir de fevereiro. O PSD, partido da governadora, reivindica a presidência e tem Antônio Moraes, Débora Almeida, Joãozinho Tenório e Aglailson Victor entre os interessados.