Menos de 24 horas depois da apuração, partidos do Centrão que fizeram campanha para Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno já admitem compor com o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O discurso é de que o quarto mandato precisará de uma coalizão com espaço para legendas além da esquerda na Esplanada.
“Os partidos de Centro têm um DNA pela governabilidade, pelo compromisso de que o presidente eleito possa cumprir seu plano de governo, que foi aprovado nas urnas”, afirmou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde e ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara. Para ele, o caminho natural é “a construção de uma maioria para sustentar o governo”.
União Brasil, Republicanos, MDB e PSD divulgaram notas parabenizando Lula. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, disse estar disposto a apoiar medidas “por um Brasil que cresça, gere empregos e reduza as desigualdades”. O MDB afirmou que “a vontade popular se fez soberana”.
O PSD, que ficou neutro depois da derrota de Ronaldo Caiado no primeiro turno e tem a governadora Raquel Lyra como presidente estadual em Pernambuco, prometeu relação republicana com o governo federal. Na nota, o presidente nacional, Gilberto Kassab, diz que a sigla vai apoiar iniciativas que corrijam desigualdades e promovam o equilíbrio fiscal.
Por trás da mudança está o receio de perder espaço diante do crescimento da bancada do PL. Republicanos, MDB e PSD já conversam para atuar em bloco. Parlamentares do grupo também criticaram, sob reserva, a decisão de Flávio de não reconhecer a derrota, que segundo um deles “desmonta a moderação” que o senador tentava construir.