O dólar à vista fechou esta sexta-feira (23) em queda de 0,92%, cotado a R$ 4,9931, no último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial. É o menor valor de fechamento desde 9 de outubro, quando o mercado reagia ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Na semana, a moeda americana acumulou baixa de 1,58% frente ao real, depois de subir 1,77% na semana anterior.

A virada veio nas duas últimas horas de negócios, quando a cotação rompeu o piso de R$ 5 e chegou à mínima de R$ 4,9891. O real teve o melhor desempenho entre as principais moedas do mundo em um dia de alta do dólar no exterior, puxada por dados fortes da economia dos Estados Unidos.

Operadores atribuíram o movimento à entrada de recursos estrangeiros e ao desmonte parcial de proteções cambiais diante da expectativa de vitória de Flávio. Segundo analistas, as expectativas de mudança na política fiscal estão depositadas no candidato da oposição, que enfrenta Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25).

“Eu vejo um quadro bem assimétrico para o dólar no curto prazo. Pode cair um pouco com a vitória do Flávio e subir muito se o Lula ganhar”, avaliou o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.

As pesquisas, porém, mostram disputa apertada. O Datafolha divulgado na quinta-feira (22) registrou empate em 50% dos votos válidos, e o levantamento Ipespe/Abrapel desta sexta trouxe Flávio numericamente à frente, com 50,5% contra 49,5% dos válidos.