A Liga dos Camponeses Pobres (LCP), organização de inspiração maoista, divulgou uma nota em que classifica as eleições de 2026 como uma “farsa” e sustenta que a extrema direita não será derrotada nas urnas. Para a entidade, a solução passa por uma Revolução Agrária, capaz de romper com o poder econômico e político dos grandes proprietários de terras.
O documento, publicado pelo jornal A Nova Democracia nesta segunda-feira (19), afirma que o primeiro turno fortaleceu os representantes do latifúndio no Congresso e nos governos estaduais. A LCP também acusa os Estados Unidos de interferirem na política brasileira e considera que o sistema eleitoral serve para legitimar o domínio das elites.
A organização vai além da crítica ao bolsonarismo. Sem citar diretamente o PT, questiona a política de conciliação adotada por setores da esquerda e convoca jovens mobilizados contra a extrema direita a aderirem à luta revolucionária. Para a Liga, uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro não eliminaria as estruturas que sustentam seu campo político.
A nota também responde a ameaças atribuídas a Flávio e a outros políticos bolsonaristas de Rondônia. A entidade comemora a derrota eleitoral do ex-comandante da PM Régis Braguin e reafirma a defesa da autodefesa armada dos camponeses como instrumento de resistência.
Há uma particularidade na posição da LCP: embora rejeite as eleições como mecanismo de transformação social, a organização celebra a derrota de adversários nas urnas.
Distante da estratégia institucional de partidos como PT e PSOL, a Liga defende que a disputa decisiva ocorre fora do sistema eleitoral. Na sua interpretação, mudar o ocupante do Palácio do Planalto pouco adianta enquanto permanecer intacta a estrutura de propriedade da terra no Brasil.
LCP
De orientação marxista-leninista-maoista, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) surgiu no fim da década de 1990, no contexto dos conflitos agrários que marcaram Rondônia após o Massacre de Corumbiara, em 1995. Diferentemente do MST, que também atua pela via institucional, a LCP rejeita a reforma agrária conduzida pelo Estado e defende uma Revolução Agrária, com a tomada de terras pelos camponeses e a autodefesa armada.
A organização também tem histórico de atuação em Pernambuco, especialmente em áreas de conflito fundiário, e acumula confrontos com forças policiais e acusações de envolvimento em ações armadas, que contesta como perseguição política.