Eduardo Moura e Priscila Krause despontam como dois dos nomes mais fortes da oposição para disputar a Prefeitura do Recife em 2028. Por caminhos diferentes, os dois encontram uma capital mais competitiva do que a vitória de João Campos em 2024 poderia supor.

Moura tem na expansão eleitoral seu principal argumento. Segundo levantamento do bastidor.pe com o Radar dos Candidatos, passou de 5.283 votos para vereador em 2024 a 54.534 para deputado federal em 2026, considerando apenas o Recife.

O crescimento alcançou os 80 bairros com dados comparáveis na plataforma. No Ibura, saiu de 107 para 1.305 votos. Em Linha do Tiro, de 45 para 999. Em Nova Descoberta, de 18 para 536. A entrada nos bairros populares dá consistência à possibilidade de uma candidatura municipal.

Priscila, por sua vez, tem como referência a força da chapa que integra com Raquel Lyra. Na eleição para governador, foram 437.301 votos no Recife, ou 46,07%, contra 473.994 de João Campos, equivalentes a 49,94%. A distância ficou em 36.693 votos.

O contraste com 2024 é expressivo. Na reeleição para prefeito, João havia conquistado 725.721 votos e 78,11%. Embora eleições municipais e estaduais tenham dinâmicas distintas, a amplitude daquela vitória não se repetiu.

Esse cenário coloca Moura e Priscila entre os favoritos para encabeçar a oposição. Ele apresenta crescimento próprio e expressivo nas periferias. Ela reúne experiência política e a perspectiva de apoio de uma governadora com votação próxima à de João Campos na capital.

Os votos de Raquel não se transferem automaticamente para Priscila, assim como a votação de Moura não antecipa uma eleição municipal. Mas os dois chegam ao debate de 2028 com argumentos concretos. Para o PSB, o Recife permanece uma base forte, porém bem menos confortável.