O deputado federal eleito Gilson Machado defendeu publicamente que a governadora Raquel Lyra (PSD) se aproxime de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A cobrança veio após o almoço de quarta-feira (14) em que a reeleita reuniu aliados de campos rivais no Recife.

Gilson argumenta que uma Presidência de Flávio, com bancada de direita reforçada no Congresso, facilitaria recursos e projetos para Pernambuco. Ele também alertou para o risco de João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo governo, ocupar um ministério em eventual novo mandato de Lula (PT) e fazer oposição ao Palácio do Campo das Princesas.

“Raquel sabe que ter Flávio na Presidência com uma bancada de direita eleita forte no Senado e na Câmara Federal é o melhor pra Pernambuco. Não seria nada interessante ter João Campos como ministro de Lula fazendo oposição a ela e consequentemente dificultando as ações pra Pernambuco”, disse o parlamentar.

A hipótese de ministério para João Campos não foi anunciada pelo PT nem pelo PSB. Gilson usa o cenário como argumento político para pressionar a governadora, que até esta quinta (15) permanece sem declarar voto entre Lula e Flávio.

Pai e filho apoiaram a reeleição de Raquel mesmo sem ela ter entrado no palanque de Flávio no primeiro turno. Gilson Filho, eleito para a Alepe, já sinalizou disposição de integrar a base do governo no Legislativo. Na lógica da direita local, a neutralidade da governadora no segundo turno deixa em aberto o retorno político do apoio bolsonarista que ajudou a ampliá-la no interior.

Raquel foi reeleita com 53,27% dos válidos e adotou o discurso de priorizar Pernambuco. A cobrança de Gilson amplia a pressão da direita sobre o “pernambuquismo”, enquanto petistas e lulistas também tentam atrair a mesma base para o dia 25.