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Direita tem quase o dobro dos votos da esquerda nos bairros mais pobres do Recife

Redação Por Redação em 08/10/2026, 19h02 · Atualizado às 19h36
Vereador Eduardo Moura na tribuna da Câmara Municipal do Recife abre o paletó e mostra camiseta com a frase "A folga acabou", ao lado de dois homens que riem

Foto: Reprodução/Instagram Eduardo Moura

Nos bairros mais pobres do Recife, candidatos de direita tiveram quase o dobro dos votos da esquerda para deputado federal em 2026. Foram 37,3% contra 18,9%, diferença de 18,4 pontos percentuais que contraria a expectativa de predomínio da esquerda nessas regiões.

Levantamento exclusivo do Bastidor.pe cruzou votos por seção do TSE com indicadores de renda e condições sociais do Censo 2022, do IBGE. A análise considera 80 bairros agrupados por renda.

Para montar os dois campos, o levantamento selecionou os principais nomes mais à esquerda e os principais nomes mais à direita, incluindo os mais polêmicos de cada lado, até que a soma de votos dos dois grupos fosse equivalente. Na esquerda entraram candidatos do PT, do PSOL e do PCdoB. Na direita, candidatos do PL e do Novo, além de um nome do Podemos e um do PP. Os candidatos do PSB e do PDT ficaram fora desses dois campos e foram contados como centro-esquerda.

Na faixa mais rica, a direita obteve 43,6%, e a esquerda, 30,2%. A direita também foi mais votada proporcionalmente nesses bairros, mas sua vantagem sobre a esquerda foi maior entre os mais pobres. São dados de votação, sem medição de militância ou identidade política individual.

Separar esquerda e centro-esquerda é fundamental para ler o resultado. A esquerda teve 18,9% no grupo mais pobre e 30,2% no mais rico. A centro-esquerda registrou 25,8% no grupo mais pobre e apenas 10,6% no mais rico.

Para deputado estadual, a direita também superou a esquerda nos bairros de menor renda, com 27,9% ante 18,2%. A centro-esquerda alcançou 30,4%.

O recado é incômodo para os partidos que reivindicam representar a periferia. O eleitorado que apoia o PSB não necessariamente adere à esquerda ideológica. Candidaturas de direita encontram espaço relevante nesses mesmos territórios. A hegemonia eleitoral de uma liderança popular não garante a hegemonia de suas ideias.

A classificação ideológica do estudo é provisória e exige validação. Os números, ainda assim, justificam uma discussão sobre a distância entre discurso e voto nas áreas mais pobres da capital.

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