Campanha da esquerda contra neutralidade de Raquel é um presente para Flávio Bolsonaro
Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco
Raquel venceu no primeiro turno contra João Campos com voto próprio e sem padrinho político. Ela não é satélite de Lula e nem de Flávio Bolsonaro. É governadora com base própria, e a base dela mistura eleitor que votou em Lula e eleitor que votou em Flávio. E isso só foi possível com uma campanha que apostou no trabalho e no resultado.
No primeiro turno em Pernambuco, Lula fez 63,45% e Flávio 31,03%. O segundo turno aqui não se ganha no que já está decidido. Lula já tem maioria absoluta em Pernambuco. Então, a quem interessa cutucar o eleitor que deu vitória a Raquel sem pedir carteirinha de partido?
Quando a esquerda chama de bolsonarista quem acaba de vencer João Campos e se recusa a entregar o palanque, faz duas coisas ao mesmo tempo. Ofende o eleitor que votou nela e ainda gosta de Lula. E confirma, para o eleitor indeciso, que o campo lulista o trata como fascista e inimigo da democracia.
Esse eleitor não volta para Lula por causa de um xingamento. Ele se afasta. Esse é o problema crônico do lulismo nacional que se repete em Pernambuco.
Flávio não precisa que Raquel declare apoio. Precisa que o eleitorado dela seja empurrado para o lado dele pelo ressentimento da esquerda. A campanha que transforma neutralidade em cumplicidade faz esse serviço de graça. Em um estado onde Lula já larga na frente, o presente não é o voto da governadora. É a raiva em cima de quem votou nela.
Ela mesma disse que é grata a Lula e que as portas do governo federal ficaram abertas. Neutralidade, no caso dela, não é adesão ao PL. É recusa de virar cabo eleitoral depois de ter acabado de derrotar o candidato de Lula no estado.
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