A direita vai dominar Brasília sem ninguém controlar o bolsonarismo
Foto: Pedro França/Agência Senado
O Brasil pode viver uma nova República se Flávio Bolsonaro for eleito. Não apenas pelo plano registrado no TSE, mas pelo Congresso que emerge das urnas.
São 49 senadores e 283 deputados de direita para 2027. Em tese, superam a maioria absoluta de 41 senadores e 257 deputados. Uma PEC exige 49 votos no Senado e 308 na Câmara, em dois turnos. Faltam 25 deputados. Para condenar um ministro do STF por impeachment, 54 senadores. Faltam cinco.
Mas nem tudo são flores. Maioria ideológica não significa maioria política disciplinada e o bolsonarismo é bastante autofágico. O resultado que dá à direita força para mudar a república também fortalece lideranças capazes de disputar o comando dessa força.
O bolsonarismo chega a 2027 com quatro polos. Jair Bolsonaro preserva a autoridade sobre a origem do movimento. Flávio, se eleito, terá a máquina federal. Michelle Bolsonaro terá mandato no Senado, base própria e atritos já conhecidos com os filhos do ex-presidente. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato passaram dos três milhões de votos. Nikolas simboliza lideranças que já não dependem da família Bolsonaro e já teve atritos públicos com os próprios filhos do seu grande líder.
Se Flávio for eleito, teremos um presidente bolsonarista sem monopólio sobre o bolsonarismo. É muito certo acreditar que Bolsonaro vai sair da prisão. E uma eventual volta do Jair ao centro do jogo vai ampliar esse dilema. Disputas internas e ambições próprias vão transformar uma maioria numérica em negociações permanentes.
O Centrão encolheu, mas não desapareceu. MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos podem perder o monopólio da governabilidade, mas continuar decisivos nas votações de supermaioria. Ministérios, emendas e relatorias não asseguram obediência automática.
A eleição criou condições institucionais para reconfigurar a Nova República, mas deixou em aberto quem controlará essa força. A questão de 2027 não é apenas se haverá votos para alterar a república. É quem conseguirá comandá-los.
O bolsonarismo nunca teve tanto poder institucional. O problema para Flávio é que esse poder já não tem um único centro e o bolsonarismo é incontrolável.
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