A Polícia Militar de Pernambuco foi intimada na noite de sábado (3), por volta das 21h20, a suspender a Operação Saturação no Recife. A decisão da Justiça Eleitoral veio após pedido da Frente Popular, coligação de João Campos, que alegou risco de retenções e constrangimentos ao deslocamento dos eleitores por causa de possíveis operações, bloqueios e abordagens policiais.

Neste domingo, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, apresentou outra leitura. Em entrevista à Rádio Jornal, afirmou que a operação não previa barreiras contra eleitores e que o reforço seria usado também para responder a casos de boca de urna que, segundo ele, aparecem de forma “estruturada” em diferentes pontos da Região Metropolitana.

Carvalho explicou que a Saturação reorganizaria o policiamento depois que 1.852 agentes deixaram a capital e a Região Metropolitana para reforçar a segurança eleitoral no interior. O foco original, segundo ele, incluía áreas de homicídios e roubos, mas o efetivo daria capacidade de resposta às ocorrências registradas no dia da votação.

O secretário descreveu imagens de grupos de quatro, cinco ou seis pessoas com camisas da mesma cor e distribuição de material eleitoral. Até o meio-dia, Pernambuco contabilizava 124 ocorrências de crimes eleitorais, com boca de urna e compra de votos entre os principais registros.

A Frente Popular havia apresentado à Justiça um planejamento policial que mapeava 45 locais de votação distribuídos por 12 setores do Recife. A coligação sustentou que a movimentação poderia interferir na livre circulação dos eleitores e pediu a suspensão ou adequação da operação.

Há uma distinção importante. A decisão eleitoral não afirma que a Operação Saturação era uma operação contra boca de urna. Essa relação foi feita posteriormente pelo secretário de Defesa Social. Para Carvalho, o reforço suspenso seria justamente uma das ferramentas para enfrentar as ocorrências que começaram a aparecer neste domingo.

É aí que surge a controvérsia. De um lado, a Justiça Eleitoral buscou impedir que uma operação policial pudesse constranger ou dificultar o acesso do eleitor às urnas. Do outro, a SDS sustenta que perdeu parte do reforço planejado justamente no momento em que registra um volume considerado fora do padrão de crimes eleitorais.