PSB protocola impeachment contra Priscila Krause; governo rebate como ofensiva eleitoral
Foto: Alepe / Divulgação
Pedido de impeachment chega em plena campanha; governo estadual contesta fatos, aponta residual documental e classifica a iniciativa como político-eleitoral.
Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, os deputados Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes (PSB) protocolaram representação de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e a secretária de Saúde Zilda Cavalcanti. A peça fala em crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio e irregularidades na aplicação de recursos.
O fio condutor é a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns — cujo sócio administrador, segundo os autores, seria Jorge Branco, marido da vice — e autorizações orçamentárias feitas quando Priscila ocupou interinamente o governo. Os parlamentares falam em cerca de R$ 200 milhões e apontam possível conflito de interesses.
Auditoria federal e resposta do Estado
A documentação citada inclui relatório do DenaSUS (Ministério da Saúde) sobre R$ 55,8 milhões em recursos federais entre janeiro de 2023 e julho de 2025 para oncologia, UTI e hemodiálise na unidade. Os autores destacam inconsistências e alegam prejuízo aos cofres públicos.
Em nota, o Governo de Pernambuco afirmou que as acusações não batem com os fatos e enquadrou o protocolo como ofensiva político-eleitoral. Segundo a administração, Priscila Krause não figura no quadro societário da Casa de Saúde, prestadora complementar ao Estado há 55 anos, ao longo de 16 governos.
A SES-PE disse ter recebido o relatório final e que fará os encaminhamentos cabíveis. O Estado argumenta que as inconsistências documentais equivalem a 1,4% do montante analisado e que, em hemodiálise, 90 sessões tiveram documentação contestada em cerca de 150 mil avaliadas (0,06%). Menciona ainda análise do TCE-PE de 2024 que, na leitura governamental, afastou hipóteses de vedação à contratação e lembrou vínculos semelhantes em gestões anteriores.
Trâmite na Alepe
Cabe ao presidente da Casa decidir se o pedido segue para comissão especial e plenário. O timing — vice no ticket de reeleição de Raquel Lyra, campanha em curso — é tratado no Campo das Princesas como movimento de oposição, não como desfecho administrativo prévio.
O Bastidor acompanha o andamento na Alepe e eventuais respostas judiciais da SES e da unidade auditada.
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