O senador Fernando Dueire (MDB-PE) avaliou a crise interna de seu partido em Pernambuco e a sucessão estadual em entrevista ao videocast Cena Política, veiculado no JC Play, que é a plataforma de conteúdo digital do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC). O parlamentar defendeu a legitimidade tanto da governadora Raquel Lyra (PSD) quanto do prefeito do Recife, João Campos (PSB), para disputar o governo em 2026. Dueire pontuou que Lyra está no curso de projetos que justificam a busca por um segundo mandato para sua consolidação.
O senador alertou que o ritmo das articulações em Pernambuco está muito adiantado, indicando que as definições para a eleição majoritária serão fortemente influenciadas pelo cenário nacional. Contudo, seu foco principal de crítica foi a situação do MDB estadual, que, segundo ele, enfrenta um período de turbulência e perda de quadros. Dueire afirmou que o partido, que chegou a ter 13 prefeitos, hoje conta com cerca de seis, com outros quatro em risco de saída, resultado da falta de diálogo e da exclusão de lideranças municipais na escolha dos diretórios.
Dueire expressou preocupação com o possível apequenamento da legenda no estado e atacou duramente a possibilidade de o MDB ser reduzido a uma “barriga de aluguel” em disputas políticas locais. O senador assegurou que, caso o partido siga esse caminho, ele estará fora, embora tenha reafirmado sua intenção de permanecer na sigla e de trabalhar para que o MDB “reencontre consensos” e valorize sua história democrática.
Em nível nacional, Dueire se posicionou a favor da proposta de emenda constitucional que extingue a reeleição para o Executivo, substituindo-a por um mandato único de cinco anos. Ele citou o colega Marcelo Castro (MDB-PI), relator da proposta, e a autocrítica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o tema. O senador avaliou que a reeleição se tornou um dos principais problemas da administração pública no Brasil. Além disso, criticou a polarização política em Brasília, que, em sua visão, prejudica o avanço de projetos estruturantes, e se manifestou contra o aumento no número de deputados federais por considerá-lo inoportuno diante da crise fiscal. Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a estabilidade institucional e o fim das decisões monocráticas.