O governo Lula (PT) não explicou por que o Bolsa Família ficou mais de três anos sem reajuste nem por que o aumento de 15,04% só começou a valer em outubro, mês da eleição. Os três documentos que embasaram a correção foram assinados no mesmo dia, 16 de setembro, véspera da publicação do decreto, e só entraram no processo eletrônico em 1º e 2 de outubro. Até lá, a tramitação foi sigilosa e em papel, por um procedimento excepcional que dispensa o sistema eletrônico mediante autorização da Casa Civil.

O reajuste elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio para R$ 777, e foi anunciado a 17 dias do primeiro turno. No dia 10 de outubro, em sabatina na TV, Lula disse que “não sabia” que o programa estava sem correção. “É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável, mas aconteceu”, afirmou o presidente.

Na segunda-feira (19), o governo antecipou o calendário de pagamentos, que iria até 31 de outubro, e concentrou os depósitos até quarta-feira (21). Com isso, todas as famílias terão recebido a primeira parcela reajustada antes de votar no domingo (25). A justificativa oficial é amenizar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis, e a mudança vale também para novembro e dezembro.

Em outra sabatina de TV, na segunda-feira, Lula defendeu as medidas. “Eu fiquei muito nervoso, porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo”, disse. “Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar porque tem eleição.” O programa virou munição dos dois lados na reta final, depois de a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) propor um prazo de dois anos no benefício para quem arrumar emprego.

Foto: Roberta Aline/MDS