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Reforço da PM no Recife vai pressionar João Campos por efetivo na Guarda Municipal

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 02/10/2025

Foto: Rodolfo Loeperte/Prefeitura do Recife

O Recife tem hoje o menor número de guardas municipais da sua história recente: 1.663 agentes em atividade, uma redução de 345 servidores desde 2019, equivalente a 18% do efetivo, deixando praças, parques e equipamentos públicos mais expostos. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo jornalista Manoel Medeiros.

A Secretaria de Ordem Pública admitiu, também via LAI, que não há previsão de concurso público para recompor a tropa. Apenas um estudo interno está em andamento para definir a necessidade de contratação. Enquanto isso, a Prefeitura abriu licitação de até R$ 1,7 milhão para treinamento teórico e prático dos guardas que ainda restam, sem apresentar um plano de expansão ou reposição do efetivo.

O contraste se acentua diante da política estadual. O Governo de Pernambuco colocou nas ruas 2.400 novos policiais militares, os chamados laranjinhas. Em apenas 30 dias, a Secretaria de Defesa Social divulgou reduções de 31,2% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio na RMR e de 90% nos roubos a ônibus. Os números repercutiram na Assembleia Legislativa e renderam elogios à presença mais visível da PM.

Apesar das estatísticas, a sensação de segurança nas ruas ainda não acompanha os números. Para especialistas, a queda do efetivo municipal compromete a zeladoria urbana e a prevenção de delitos em áreas de lazer, transferindo para a PM a responsabilidade quase exclusiva pela segurança cotidiana.

O artigo de Manoel Medeiros evidencia que a Guarda Municipal tem função essencial de cuidado urbano, zeladoria e prevenção, mas a redução de 18% do efetivo e a ausência de previsão de concurso apontam falhas de gestão. Destinar R$ 1,7 milhão para treinamento de tiro em um efetivo reduzido cria um símbolo contraditório, priorizando militarização em vez de proximidade e prevenção. Enquanto o reforço da PM estadual contribui para a redução de crimes e melhora a percepção de segurança, a Prefeitura ainda não apresentou ações concretas; o estudo interno conduz apenas estimativas do número ideal de guardas, deixando um vácuo estratégico. A situação evidencia que há recursos para treinar os 1.663 guardas restantes, mas não para repor os 345 que sumiram, demonstrando preferência pela militarização em detrimento do cuidado urbano.

O contraste entre PM estadual em alta e GM municipal em queda não é apenas um dado: sugere que, se a Prefeitura não consegue gerir sua própria Guarda Municipal, o cuidado com a cidade fica comprometido. A prioridade da gestão atual se mostra invertida: conflito e militarização, em vez de cuidado e zeladoria.

Confira o artigo completo publicado no Instagram de Manoel Medeiros.

O município do Recife tem registrado a redução, ano a ano, do seu contingente de guardas municipais, impactando diretamente na manutenção e guarda dos equipamentos e espaços públicos sob responsabilidade da gestão local, como parques e praças. Embora não seja uma atribuição principal dos municípios, as prefeituras devem atuar na política de segurança, cabendo ações de prevenção, principalmente.

Desde 2019, segundo dados coletados na Prefeitura via Lei de Acesso à Informação (LAI), são 345 homens e mulheres a menos nas ruas, uma redução de 18%.

📉 No gráfico, arrastando para o lado, você confere o histórico ano ano.

Atualmente, sob a gestão do prefeito João Campos (PSB), a Guarda Municipal do Recife possui o menor contingente desde então: 1.663 guardas à disposição da sociedade. Ainda de acordo com duas respostas da Secretaria de Ordem Pública e Segurança, também via LAI, não há previsão para a realização de concurso público para a recomposição da Guarda. Segundo informou a gestão municipal, está sendo realizado no momento um levantamento para calcular qual seria o número necessário para a capital pernambucana.

🔎 Em paralelo, a Prefeitura lançou hoje, no Diário Oficial do município, o edital de licitação visando a contratação de empresa para “treinamento e instrução de aulas de tiro teórica e prática, com fornecimento de estande, instrutores devidamente credenciados, materiais e insumos necessários, destinados aos servidores da Guarda Civil Municipal do Recife” a um valor máximo de R$ 1,7 milhão. A sessão está marcada para o próximo dia 24 de setembro.

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