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Recife tem desmatamento de quase 10 hectares no Parque dos Manguezais

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 01/12/2025

Foto: Airbus / Satélite

O pulmão verde da Zona Sul do Recife está sob ataque silencioso. Um levantamento realizado via análise comparativa de imagens de satélite (via Google Earth) identificou uma grave supressão de vegetação nativa no interior do Parque dos Manguezais ao longo dos últimos oito anos. A área afetada soma 9,42 hectares de ecossistema perdido entre 2017 e 2025.

A dimensão do dano ambiental se torna alarmante quando comparada a referências urbanas conhecidas da capital pernambucana. Para facilitar a visualização do impacto, a área de manguezal suprimida chega a ser quase 1,5x a extensão total do Parque da Jaqueira, na Zona Norte, que conta com cerca de 7 hectares. Em outra analogia, o território desmatado equivale a aproximadamente 13 campos de futebol.

A análise visual confirma um problema recorrente apontado por pesquisadores e moradores locais. As formas geométricas identificadas nas imagens revelam a instalação de viveiros clandestinos de camarão, atividade conhecida como carcinicultura. A prática avança sobre uma Unidade de Conservação criada em 2010 justamente para proteger o complexo estuarino dos rios Jordão, Pina, Tejipió e Capibaribe.

A Prefeitura do Recife chegou a realizar operações em janeiro de 2024 para desativar viveiros ilegais na região, mas o monitoramento via satélite indica que a cicatriz ambiental permanece aberta e extensa. A área, localizada no terreno da antiga Rádio Pina da Marinha, é considerada um dos maiores manguezais urbanos do mundo, com cerca de 300 hectares.

O impacto dessa supressão vai muito além da perda de árvores. Análises com imagens de satélite realizadas por pesquisadores da UFPE indicam que o Parque dos Manguezais apresenta temperaturas de superfície vários graus abaixo das áreas densamente construídas do entorno, configurando uma verdadeira ‘ilha de frescor’ no sul do Recife. A derrubada da vegetação elimina esse microclima e compromete a drenagem natural da Zona Sul, aumentando o risco de alagamentos em bairros como Boa Viagem e Imbiribeira.

A substituição do mangue por tanques artificiais representa um golpe direto na biodiversidade local. Os manguezais são reconhecidos como berçários fundamentais para a vida marinha, além de atuarem como filtros naturais da água e barreiras indispensáveis contra a erosão e inundações na bacia do Pina e Capibaribe.

O cenário revela uma pressão dupla sobre o parque. De um lado, o avanço da especulação imobiliária e obras viárias como a Via Mangue comprimem as bordas da reserva. Do outro, a carcinicultura e ocupações irregulares corroem o ecossistema por dentro. A perda de quase 10 hectares em apenas oito anos acende um alerta sobre a eficácia real da proteção dada à área, que deveria servir de berçário para a vida marinha e barreira contra o avanço das marés.

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