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Porto do Recife supera cenário de crise global e amplia faturamento

Rodrigo Ambrosio Por Rodrigo Ambrosio em 24/03/2026

Foto: Arthur de Souza/Porto do Recife

O Porto do Recife encerrou 2025 com o maior faturamento de sua história recente e consolidou um resultado que chama atenção não apenas pelo número, mas principalmente pelo contexto em que foi alcançado. A receita chegou a cerca de R$ 57 milhões, representando um crescimento de aproximadamente 17% em relação ao ano anterior.

O dado por si só já seria relevante. Mas o que torna o resultado ainda mais expressivo é o ambiente adverso enfrentado ao longo do período. O cenário internacional foi marcado por instabilidade geopolítica, tensões comerciais e impactos diretos sobre cadeias produtivas estratégicas. Entre eles, o chamado tarifaço associado à política comercial de Donald Trump, que afetou mercados importantes e teve reflexos sobre o açúcar, uma das principais cargas movimentadas em Pernambuco.

A queda no preço do açúcar no mercado internacional reduziu em cerca de 200 mil toneladas a movimentação de carga no porto. Em paralelo, as sanções econômicas relacionadas à guerra envolvendo a Rússia afetaram o fluxo de fertilizantes, outro segmento relevante. Em termos práticos, o Porto do Recife operou com menos volume em áreas importantes e, ainda assim, conseguiu crescer.

É nesse ponto que o resultado deixa de ser apenas financeiro e passa a ser um indicativo claro de gestão. O crescimento não veio de um aumento natural de carga ou de um ciclo favorável da economia. Ele foi construído mesmo diante de perdas operacionais e de um ambiente externo desfavorável.

Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

A condução desse processo está diretamente ligada à gestão de Paulo Nery, que deixa o Porto do Recife após aproximadamente um ano de gestão. Com uma trajetória consolidada na área financeira e experiência na gestão pública, Nery assumiu o desafio de reorganizar a operação e extrair mais eficiência de uma estrutura historicamente pressionada por suas limitações.

Além dos resultados imediatos, a gestão também avançou em projetos estruturantes que apontam para o futuro do Porto do Recife. Iniciativas como a dragagem, a implantação de novas defensas, o reforço no sistema de combate a incêndio, a adequação aos padrões internacionais de segurança e a captação de recursos para obras de drenagem e pavimentação indicam uma agenda voltada à modernização e ampliação da capacidade operacional.

Há ainda investimentos voltados à integração urbana e valorização da área portuária, como o projeto de novo estacionamento no entorno do Marco Zero, que reforça a conexão entre o porto e a cidade. O conjunto dessas ações ajuda a explicar por que o resultado financeiro foi alcançado mesmo em um cenário desfavorável. O crescimento não dependeu de fatores externos positivos, mas de decisões internas, planejamento e execução.

Ao final de sua gestão, o Porto do Recife apresenta um indicador recorde de desempenho. Faturou mais em um contexto em que o mais esperado seria recuar. Em um ambiente global marcado por incertezas, o resultado sinaliza que uma boa gestão é capaz de transformar adversidade em crescimento.

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