Operação contra os Coelhos muda o jogo eleitoral em Pernambuco
Foto: Divulgação
A Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (25/02), foi um verdadeiro abalo sísmico que atingiu o epicentro da política pernambucana. Com o aval do ministro Flávio Dino (STF), a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão para investigar o suposto desvio de R$ 22 milhões em emendas parlamentares federais, tendo como principais alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (FBC) e seus filhos, Fernando Filho e Miguel Coelho.
O centro da investigação é a construção da Orla 3, em Petrolina, obra que a PF suspeita ter sido desenhada para valorizar áreas pertencentes a Clementino Coelho, irmão de FBC, em uma manobra que mistura interesses públicos e patrimoniais privados.
O braço operacional do suposto esquema seria a Liga Engenharia, de Pedro Garcez de Souza, apontado como ex-assessor e parente por afinidade do clã, que teria vencido licitações viciadas. Como medida cautelar, o STF determinou o bloqueio recorde de R$ 106 milhões em bens dos investigados.
Diante das acusações, a Prefeitura de Petrolina manifestou-se oficialmente na tarde de hoje, garantindo que todas as obras fruto de emendas parlamentares tiveram suas contas devidamente prestadas. A gestão municipal assegura que os processos passaram pelo crivo dos órgãos de controle e que a execução dos projetos seguiu rigorosamente os trâmites legais.
Análise de Mídia
Do ponto de vista da comunicação, a operação foi um desastre de imagem para o clã. Embora a PF tenha emitido uma nota oficial genérica, sem citar suspeitos, às 07h41, veículos de alcance nacional como o G1 (Camila Bomfim) e o Estadão já possuíam os nomes e detalhes dos alvos em minutos.
A estratégia de defesa, conduzida pelo advogado André Callegari, tenta agora inverter a pauta, focando no “cerceamento de defesa” devido à falta de acesso aos autos. No entanto, o contra-ataque também ganhou contornos políticos: Fernando Filho e Miguel Coelho apontaram um evidente “viés político” na ação da PF. Eles classificam a operação como uma tentativa de interferência no processo sucessório de 2026, afirmando que os fatos investigados são “requentados” e carecem de novos elementos.
Xadrez da Política
A relação entre Miguel Coelho e João Campos atingiu, no início de 2026, um nível de simbiose política que redefine as fronteiras entre o Sertão e a Capital. O que começou como uma aproximação pragmática em 2023 evoluiu para um pacto de lealdade mútua, onde Miguel assumiu o papel de principal fiador da candidatura de João ao Governo do Estado no interior.
Essa fidelidade foi selada ainda em 2024, quando Miguel abriu mão de uma candidatura própria no Recife para apoiar o PSB, consolidando-se como o nome de consenso para ocupar a vaga ao Senado na chapa majoritária de 2026. A aliança também passou por ajustes estratégicos no tabuleiro administrativo. Como reportado pelo Blog Ponto de Vista, a saída de Antônio Coelho da Secretaria de Turismo e Lazer do Recife no final de 2024, para reassumir seu mandato de deputado estadual na Alepe, foi lida nos bastidores como um movimento para fortalecer a articulação política do grupo no Legislativo, onde Antônio agora preside a Comissão de Finanças.
Com a pasta do Turismo sob o comando técnico de Thiago Angelus desde janeiro de 2025, a gestão de João Campos buscou manter a continuidade dos projetos sem a exposição direta do clã Bezerra Coelho no primeiro escalão municipal durante o ano pré-eleitoral.
Entretanto, a deflagração da Operação Vassalos nesta quarta-feira coloca essa lealdade sob seu teste mais severo. A operação atinge justamente o principal ativo político de Miguel: sua imagem de gestor eficiente e modernizador. A investigação do STF aponta indícios de que emendas federais foram usadas para beneficiar o patrimônio da família, um revés que dá munição aos setores do PT que já pressionavam João Campos a buscar um parceiro de chapa com menos “passivos jurídicos”.
Agora, o cenário de 2026 entra em uma fase de incerteza. Embora Miguel tenha mantido uma postura de lealdade inabalável a João Campos, o custo político dessa parceria para o prefeito do Recife tornou-se o assunto central nas rodas de conversa política do estado. A grande questão levantada por analistas locais é se o “casamento” entre o clã Bezerra Coelho e o PSB resistirá à pressão de uma investigação que bloqueou R$ 106 milhões e colocou o projeto do Senado sob o escrutínio direto da Polícia Federal.
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