João Campos usou Raquel Lyra para “atacar” investigação do Ministério Público
Imagem: Edição
Quem abriu as redes sociais neste fim de semana se deparou com um vídeo viral do prefeito João Campos. Publicado ontem (31), o material já acumula mais de 45 mil curtidas e beira 1 milhão de visualizações. Com tom grave e indignado, João denuncia uma “polícia paralela” e celebra uma decisão do STF que coloca a Polícia Federal para investigar a Polícia Civil e o Ministério Público.
O que assistimos não foi apenas um desabafo, mas a execução de uma estratégia sofisticada de “defesa por ataque”. Encurralado por uma derrota no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o PSB encontrou no episódio do suposto monitoramento da Polícia Civil a “cortina de fumaça” perfeita para deslegitimar investigações de corrupção que miram sua gestão.
O elefante na sala: A Operação Barriga de Aluguel
Para o grande público, a narrativa é: “João está sendo perseguido pela polícia de Raquel”. Mas, nos bastidores jurídicos, a cronologia conta outra história.
No dia 30 de janeiro, a 2ª Câmara Criminal do TJPE tomou uma decisão unânime e dura ao mandar reabrir o inquérito da Operação Barriga de Aluguel. O Tribunal validou as provas colhidas pelo GAECO (Ministério Público) sobre um suposto esquema de R$ 200 milhões em desvios na Prefeitura, envolvendo empreiteiras e secretarias municipais.
Essa decisão foi um banho de água fria na gestão municipal. Ela confirmou que a anulação anterior do processo — feita em tempo recorde por um juiz cujo filho ganhou um cargo na Prefeitura logo depois — não se sustentava.
João Campos precisava de uma saída. E a saída veio do próprio Governo do Estado.
A “vacina” Gilmar Mendes
O episódio do rastreador no carro de um secretário municipal, tratado pelo Governo do Estado como uma diligência de investigação legal e pela Prefeitura como espionagem clandestina, foi a munição que faltava.
O PSB acionou o ministro Gilmar Mendes, no STF, com dois objetivos:
- O Jurídico (Silencioso): Trancar as investigações contra as secretárias de Saúde e Administração, alegando abusos do MPPE.
- O Político (Barulhento): Pedir que a PF investigue a Polícia Civil de Pernambuco.
Gilmar Mendes atendeu aos pedidos. E aqui está o “pulo do gato” da comunicação de João Campos. Ao usar a figura de Raquel Lyra e o erro tático da Polícia Civil como escudo, ele tenta vacinar a opinião pública contra as cenas dos próximos capítulos.
A guerra jurídica continua, mas a batalha da comunicação foi vencida, por enquanto, pela confusão.
Mais lidas
Repercussão negativa de Porto de Galinhas ultrapassa 120 milhões de visualizações
Análise completa: Kari Santos é o principal ativo do PT em Pernambuco
Saiba quem cresce e quem cai nas pesquisas em Pernambuco
Análise completa: Como Tecio Teles reposiciona o Partido Novo no Nordeste
Recife recusa veículo do Estado destinado a combater feminicídio
Redes Sociais