Colapso no PL coloca o Partido Novo como o futuro da direita em Pernambuco
Foto: Divulgação
O PL em Pernambuco entrou num modo de operação que a direita já conhece bem, muito barulho, pouca coordenação e uma disputa permanente para ver quem segura o volante. A crise interna se aprofundou com saídas e trocas de legenda, brigas por controle de candidaturas e uma obsessão que virou guerra de bastidor.
O diretório do Recife virou carrossel, com mudança de comando, polêmica interna e troca de presidência municipal. No fim de 2025, Mano Medeiros saiu do partido, expondo fissuras no próprio campo Ferreira. No início de 2026, Coronel Meira publicou nota pedindo cautela no uso da imagem de Bolsonaro e tentando puxar o freio de mão de aliados ideológicos.
Aí veio o ponto de ruptura. Gilson Machado Neto anunciou a saída dizendo que não ficaria onde não cabia e relatou ter sido preterido na disputa majoritária, apesar de afirmar que tinha aval para disputar. Dias depois, a briga deixou de ser sussurro e virou espetáculo. Anderson Ferreira chamou Gilson de desertor e o contra-ataque veio em público, com troca de acusações envolvendo quase todo o campo bolsonarista do estado.
É aqui que o Partido Novo aparece como o adulto na sala.
Enquanto o bolsonarismo gira em torno de vaidade, disputa de território e uma eterna batalha para decidir quem carrega a imagem de Jair Bolsonaro no colo, o Novo em Pernambuco faz o básico que virou artigo de luxo na política. Tecio Teles pegou um diretório apagado e transformou em uma estrutura com comando, calendário e padronização.
O que diferencia o Partido Novo hoje é o fato de ter virado método, rotina, procedimento e disciplina. Em vez de holofote antes de entrega, a lógica foi organizar primeiro e projetar depois. Numa direita que se fragmenta, um partido que mantém coerência e padrão interno vira referência por contraste.
Enquanto partidos tradicionais ainda tentam montar suas chapas proporcionais em fevereiro de 2026, o Novo já havia reunido mais de 90 pré-candidatos em dezembro de 2025, no Recife, dentro de uma jornada de formação política. Eduardo Moura passou a ocupar espaço majoritário no debate estadual para este ano, com o partido já podendo se projetar para 2028. Nenhum partido hoje trabalha com esse nível de horizonte em Pernambuco.
A política não tolera vácuo. O que parece crise isolada no PL pode ser, na prática, uma transição de liderança no campo da direita estadual.
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