O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, arquivou a investigação que apurava se o deputado federal eleito Gilson Machado Neto teria ajudado na fuga do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. A decisão segue o entendimento da Procuradoria-Geral da República, que não viu fundamento para continuar o caso.
A apuração mirava a atuação do ex-ministro do Turismo junto ao Consulado de Portugal no Recife, numa suposta tentativa de emitir passaporte para Cid, réu na ação penal da trama golpista no STF. Gilson chegou a ser preso pela Polícia Federal no Recife em junho de 2025, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, quando foram apreendidos dois celulares e uma arma de fogo.
Na decisão, Fachin registra que a PF tentou duas vezes extrair os dados dos aparelhos sem conseguir acesso completo. “Além da ausência de indícios mínimos de autoria e materialidade, não se observa a existência de diligência viável ou outra linha investigatória a ser explorada”, diz o texto.
O ministro determinou a devolução dos celulares e da arma, desde que o registro esteja regular. A decisão ressalva, porém, que a investigação pode ser reaberta pela PF ou pela PGR se surgirem novos indícios, como prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal.
O arquivamento chega na mesma semana em que Gilson, um dos principais nomes do bolsonarismo em Pernambuco, passou a defender a tese de que Flávio Bolsonaro deixou o país em exílio político, e não em fuga.