O primeiro debate do segundo turno, realizado neste domingo (18) pela Band, trouxe uma cena já conhecida da política americana. Enquanto Lula falava, Flávio Bolsonaro (PL) circulava pelo estúdio, posicionava-se atrás do adversário e fazia expressões de discordância diante das câmeras.
Essa movimentação foi uma estratégia utilizada por Donald Trump contra Hillary Clinton no segundo debate presidencial de 2016. Na ocasião, o republicano permaneceu repetidamente atrás da democrata, ocupando o enquadramento mesmo quando não tinha a palavra.
Dez anos depois, Flávio reproduziu uma dinâmica semelhante no Brasil.
A postura incomodou a equipe de Lula. Sidônio Palmeira, ministro da Secom e integrante do núcleo de comunicação do presidente, reclamou da movimentação durante o intervalo. A própria organização do debate precisou orientar os candidatos a evitar gestos e deslocamentos que prejudicassem a compreensão do público.
O episódio revela uma dimensão importante da comunicação eleitoral. Em debates transmitidos pela televisão e posteriormente fragmentados em vídeos para as redes sociais, a imagem de quem está ouvindo também pode se transformar em conteúdo político.
Trump compreendeu essa lógica ainda em 2016. Sua experiência na televisão ajudou a transformar expressões faciais, deslocamentos e gestos em elementos de sua comunicação. O comportamento diante de Hillary foi interpretado por críticos como uma tentativa de intimidação.
A estratégia, entretanto, tem riscos. A movimentação pode transmitir confiança e combatividade aos apoiadores, mas também ser interpretada como arrogância ou desrespeito por eleitores menos identificados com o candidato.